dr_rodrigo

Dr. Rodrigo Rocha Codarin



Graduação pela Faculdade de Medicina de Jundiaí,

Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (FMUSP),

Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO),

Ex-Médico do setor de Endocrinopatias, de Hipertensão e de Trombofilias na gestação do Hospital das Clínicas da FMUSP,

Ex-Diretor técnico do Centro Obstétrico do Hospital das Clínicas da FMUSP,

Ex-Supervisor da Enfermaria de gestação de alto risco do Hospital das Clínicas da FMUSP,

Ex-Coordenador da residência médica e em obstetrícia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de São Paulo,

Ex-Membro da Comissão executiva de residência médica da FMUSP,

Revisor da revista científica “Clinics”,

Atua atualmente na Célula Mater em São Paulo com ginecologia, obstetrícia e reprodução assistida.

                             

Entrevista

     O Dr. Rodrigo Codarin realiza a cerclagem abdominal por laparoscopia e com ela, as suas pacientes têm obtido sucesso na gestação.  Por este motivo o Dr. Rodrigo nos concedeu esta entrevista a fim de sanar todas as dúvidas sobre esta cirurgia que vem ajudando muitas mulheres a realizarem o sonho da maternidade.

Confira abaixo:

 

1)   Existem muitas mulheres com o colo do útero flácido – Insuficiência Istmo Cervical. Atualmente, qual o percentual de mulheres que possuem IIC?


 Estima-se que até 1% das gestantes possam apresentar IIC. Entretanto, pode-se dizer que ela é responsável por 10 a 20% dos abortamentos de repetição.

 

2)   Qual o método de cerclagem uterina realizada pelo senhor (nome da técnica) e como é realizada?

 A técnica de cerclagem uterina deve depender da análise de cada caso. Vale ressaltar que o diagnostico de IIC é realizado com a utilização da história clinica da paciente, do exame físico e, em alguns casos, de exames complementares de imagem. Para algumas mulheres o acompanhamento ultrassonográfico do tamanho do colo para a real confirmação diagnostica durante o pré natal é o manejo adequado. Para casos já confirmados mas sem sinais de complicações maiores a cerclagem vaginal (técnicas mais utilizadas são as denominadas: McDonald modificada por Pontes ou a de Shirodkar). Para casos mais graves (com cirurgias cervicais previas ou falha anterior de cerclagem cervical) a recomendação é a realização de cerclagem abdominal via laparoscópica.

 

3)   Quem criou a cerclagem abdominal e qual o percentual de sucesso nas mulheres com IIC?

A primeira técnica de cerclagem abdominal foi descrita por Benson e Durfee, em 1965. Desde então técnicas vem sendo adaptadas para sua realização mas, resumindo, a técnica mais aceita atualmente baseia-se em colocar uma fita de Mersilene na altura do orifício interno do colo, fixa-la anteriormente ao útero (próxima a bexiga).

A literatura médica ainda é pobre em relação aos resultados das cerclagens abdominais. As maiorias dos artigos publicados são resultados de séries de casos. Em setembro de 2019 foi publicada na revista da American Journal of Obstetrics and Gynecology um estudo sério sobre o assunto que comparou em vários hospitais no Reino Unido os resultados da cerclagem vaginal “baixa”, “alta” e da abdominal laparoscópica em pacientes com falhas em cerclagens anteriores. Segue tabela mostrando os resultados encontrados no artigo.

Vale ressaltar que 92% das pacientes – e percebam que o estudo só selecionou pacientes graves – conseguiram ter o parto após a 32a semana e que 72% conseguiram chegar à 37a semana.

 

4)   Há dados sobre perda gestacional após esta técnica de cerclagem? Quais os riscos?

 As complicações do procedimento são raras. Tanto a abordagem vaginal, como a abdominal, apresenta taxas muito baixas de complicações. Excetua-se a essa informação os casos de cerclagem de emergência realizados no segundo trimestre, já com dilatação uterina presente.  

 

5)   Esta cerclagem é realiza antes da mulher engravidar ou quando já está gestante? Se puder realizar esta técnica durante a gestação, até quantos meses de gestação a cirurgia pode ser realizada?

 

A cerclagem abdominal pode ser realizada no período pre gestacional. As demais devem ser realizadas com a paciente já gravida. Pessoalmente, prefiro nas paciente com indicação de abordagem abdominal a realização pre gestacional – evitando dessa forma a cirurgia durante a gravidez – fator que traz estresse emocional a qualquer família.

 

6)   Qual a sedação é dada à paciente e quantos dias de internação, em média?

 

Para a cerclagem abdominal é necessária anestesia geral. As demais exigem bloqueio raquimedular (anestesia raquidiana).

 

7)   Quais os riscos de contrair uma infecção utilizando esta técnica de cerclagem? Há alguma vantagem desta técnica sob às demais?

 As complicações do procedimento são raras. Tanto a abordagem vaginal, como a abdominal, apresenta taxas muito baixas de complicações. Excetua-se a essa informação os casos de cerclagem de emergência realizados no segundo trimestre, já com dilatação uterina presente. 

A técnica deve ser escolhida e analisada para o caso de cada paciente. É dever da equipe que a assiste oferecer a melhor técnica para cada caso. Não deve existir uma técnica única que se adapte a todos os casos.

 

 8)   É necessário fazer repouso durante a gestação realizando este método de cerclagem?

Usualmente o repouso não é necessário.

 

9)   Em futuras gestações é necessário fazer a cerclagem novamente?

A cerclagem abominal é chamada por alguns, informalmente, de definitiva – pelo fato de somente ser necessária sua realização uma vez. As demais técnicas são realizadas a cada gestação. 

 

10)  Tendo realizado esta técnica de cerclagem, é possível a abertura do Orifício Interno durante a gestação ou de ter bolsa protusa?

 Todas as técnicas são passiveis de falhas. Alias, em medicina, sempre desconfie se algo for denominado como “sempre” ou “nunca”.

 

11) Por que muitos obstetras não querem realizar a cerclagem definitiva? Ela pode gerar algum problema no útero futuramente?

A técnica não é muito disseminada e, sinceramente, em somente alguns casos ela é realmente necessária. A analise deve ser realizada analisando o passado obstétrico da paciente, os exames disponíveis e os resultados e indicações de cada técnica.

 

12) Mulheres com o útero septado ou com miomas, também podem se beneficiar desta técnica?


Devemos tomar bastante cuidado em não confundir as causas das perdas gestacionais. O diagnostico de incompetência cervical não pode ser confundido ou sobrepujado a mal formações uterinas ou compressões por miomas. Para esses casos a analise deve ser realizada de forma individualizada, balizando os riscos de fechamento do colo em pacientes com mal formações uterinas.

Miomas devem ser abordados de outra forma e raras são as exceções em que a cerclagem é realmente adequada para esses casos.

 

13) É possível a mulher passar a ter dificuldades para engravidar após esta técnica e por quê?

Os estudos não tem mostrado essas associação.

 

14) Pode colocar DIU tendo realizado esta técnica de cerclagem?

Tecnicamente sim. A utilização do método anticoncepcional deve ser discutido com a paciente visto que varias opções são possíveis mas essa pergunta me faz ressaltar que o fechamento do colo do útero em qualquer técnica de cerclagem não é completo visto que o colo continua com uma mínima passagem para a saída da menstruação por exemplo.

 

15) Qual o conselho que o senhor dá às mulheres portadoras de IIC?

 

Procurar por ajuda antes de engravidar é sempre a melhor opção. Discuta com a equipe que a assiste quais as opções possíveis para o seu caso. Cuidado com fake news.

 

16) A mulher que tem descolamento de placenta no início da gestação, pode realizar esta técnica?

Sim.

 

17) Muitas mulheres têm procurado a cerclagem definitiva. Quais são os parâmetros para a realização desta cirurgia?

 Os casos devem ser analisados individualmente, mas, como dito antes, as pacientes com falha em cerclagem vaginal em gestação anterior e pacientes com cirurgias previas no colo uterino são o grupo onde essa técnica é mais frequentemente realizada.

 

18) Esta técnica de cerclagem tem sido divulgada entre a comunidade médica? Existem médicos do SUS que saibam realizá-la?

Sim. No HCFMUSP essa técnica é realizada apesar de existir uma fila para sua realização.

 

19) Qual a sua opinião sobre o pressário vaginal?

A literatura médica é contraditória em relação a esse assunto. Existe um grupo na espanha onde sua utilização é largamente defendida mas o principal estudioso do tema, em Londres, tem resultados ruins com o pessario. Mais uma vez, ainda mais como o tema é contraditório, acho que sua utilização deve ser reservada para casos isolados.

 

20) Pode ter relações sexuais durante a gestação após ter realizado esta cerclagem?

 Na enorme maioria dos casos, sim.

 
 cerclagem@cerclagem.com.br
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